Saí de casa e parei numa montra.
Apercebi-me do meu próprio reflexo, enquanto todos à minha volta continuavam a
sua caminhada para nenhures. Perguntei-me quantos daqueles sabiam para onde iam
e mais importante, de onde vinham…talvez nem soubessem onde estavam! Tantas
figuras, tantos conceitos do que se é e do que se deve ser atordoaram-me; e
então fitei que a definição de mulher é algo complexo: mulher tem de ser mãe,
filha, irmã, amiga; senhora e menina. A mulher independente e a esposa ideal
que a nossa sociedade impinge.
Será que aqui há espaço para a
mulher que tem opinião? A interventiva e criativa? A segura de si que ao mesmo
tempo precisa de um abraço no final do dia… de um copo de vinho bem bebido com
aqueles que mais gosta?
Do alto das minhas Channel 12 cm,
segura de mim, sigo pela rua com um sorriso no rosto. Descobri que apesar de
legítima, esta minha indagação não era relevante: sei quem sou, sei os meus
valores e a crença da sociedade nunca irá mudar isso! Sei que ser mulher assim
não é fácil, mas mais do que isso, sei que ser mulher não é ser sozinha.
Este blog nasce com este propósito –
o de mostrar que a mulher pode ser tudo aquilo que quiser e acompanhada! Este
blog será a partir de hoje escrito a três teclados: afinal de contas se as
mulheres vão juntas à casa de banho porque não escrever um blog juntas?
As mulheres que esperam
acompanhar-vos nos vossos dias partilham visões do mundo, confidências, choros
e risos há muitos anos…e há muitos anos que é difícil convergirem em opiniões.
Mas os valores, esses sempre as uniram.
Esses valores, guardados no armário
durante muito tempo, juntaram estas três moças Marias, que a partir de hoje
decidiram partilhá-los convosco.
Da Maria Noémia podem contar com
riso e choro fácil, sem que se perceba como nem porquê: gosta de tudo e de nada
sonha em ser independente, mas precisa da validação das pessoas de forma
constante, quer seja através de flirts ou só com palavras como “gosto de ti”
e/ou “és bem boa”. Sonha ser cozinheira e com toda a certeza verão algum post
dela sobre cozinhados incríveis…que serão concretizados após destruir a cozinha
sete vezes.
Com esta forma de estar, certamente
que as discussões são frequente com a Maria Não. Esta segunda Maria, nunca está
satisfeita com nada e é sempre do contra. Este facto deriva de querer ser a
perfeita dona de casa, com cinco filhos debaixo da asa e ao mesmo tempo ser uma
feminista confessa. O antagonismo em que vive fá-la ser a pessoas mais
distraída e mais atenta do mundo: não vê o ataque de pânico que o colega está a
ter porque está demasiado focada no mineral que reluz no paralelo da rua. A
vida para ela oscila entre ser muito humana, mas querer afastar as pessoas dela…é
como quem adora gatos pretos, foge de escadotes, mas odeia superstições.
Ora se vê que no meio deste
nevoeiro constante, é a Maria Luís, que tem como ouvidos penicos. Maria Licas
para os amigos que são meio mundo que conhece, a avaliar pela quantidade de “meus
queridos” que diz a pessoas diferentes ao longo do dia. Muito segura de si no
trabalho, esconde a meio mundo a bipolaridade que a faz ser a pessoa mais
impessoal durante o dia e a leva ao desespero de ver comédias românticas,
enquanto come gelado cheio de conhaque, durante a noite. É propensa a vícios e
está sempre disponível para ouvir todos desde que não guinchem muito, entre
tragos de vinho e um maço de tabaco.
Bem, na verdade somos aquelas Marias
que caminham no Rossio da Sé de passo largo, aquelas de riso sincero e
descontrolado num café de silêncios; somos aquelas Marias que ainda rabiscam o
jornal de papel, e que na dúvida apontam a ideia inoportuna no bloco, aquelas Marias
que o acaso juntou e que o propósito mantêm unidas… somos aquelas que na dúvida
vão espreitar o que há no Armário da Prima.
Esperamos que a partir de hoje
espreitem também.
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